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Biomassa, etanol e desenvolvimento: Mato Grosso enfrenta um delicado equilíbrio entre crescimento econômico e sustentabilidade.

Agronegócio

Biomassa, etanol e desenvolvimento: Mato Grosso enfrenta um delicado equilíbrio entre crescimento econômico e sustentabilidade.
foto de Vladimir Srajber

A decisão que prevê a eliminação gradual do uso de biomassa oriunda da supressão vegetal legalmente autorizada para abastecer usinas de etanol de milho em Mato Grosso abriu um novo capítulo no debate sobre desenvolvimento sustentável no agronegócio brasileiro.


Nesta semana, a Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) manifestou preocupação com o Termo de Compromisso Ambiental (TCA) firmado entre o Governo de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual. Segundo a entidade, as novas exigências podem dificultar a implantação de novos empreendimentos e comprometer a expansão da indústria de etanol de milho, um dos setores que mais crescem no estado.


O acordo estabelece uma redução progressiva do uso de biomassa proveniente da supressão vegetal até sua eliminação completa em 2034. Em substituição, as empresas deverão utilizar biomassa oriunda de florestas plantadas, manejo florestal sustentável ou outras fontes renováveis autorizadas.


A Abramilho argumenta que a biomassa atualmente utilizada pelas usinas é obtida de forma legal e licenciada, questionando por que esse material não poderia continuar sendo aproveitado para geração de energia. A entidade defende um período maior de transição, considerando que o cultivo de eucalipto — principal alternativa para suprimento energético — leva aproximadamente seis anos para atingir o ponto de corte.


Por outro lado, especialistas do setor florestal e entidades de reflorestamento afirmam que o crescimento acelerado das usinas já pressiona a oferta de biomassa no estado. O objetivo do acordo é justamente evitar um futuro "apagão de biomassa", incentivando investimentos em reflorestamento e garantindo segurança energética para a própria indústria.


Opinião

O debate revela um dilema cada vez mais comum no Brasil: como conciliar expansão econômica e responsabilidade ambiental.


A preocupação da Abramilho é legítima. Mato Grosso tornou-se referência mundial na produção de etanol de milho e o setor movimenta bilhões de reais, gera empregos e agrega valor à produção agrícola. Qualquer mudança regulatória que aumente custos ou gere insegurança pode afastar investidores.


Entretanto, também é difícil ignorar os sinais de alerta emitidos pelos órgãos ambientais e pelas entidades florestais. O crescimento industrial não pode depender indefinidamente de recursos oriundos da vegetação nativa, ainda que legalmente autorizados. A sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a ser um requisito econômico para acessar mercados internacionais e atrair investimentos.


O desafio, portanto, não está em escolher entre desenvolvimento e preservação. O verdadeiro desafio é construir uma transição viável, tecnicamente possível e economicamente responsável. Se o cronograma for inadequado, haverá prejuízos para a indústria. Se for lento demais, o risco ambiental permanecerá.


O futuro do etanol de milho em Mato Grosso dependerá justamente da capacidade de encontrar esse ponto de equilíbrio.


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