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Brasil vence o Haiti e reencontra confiança na Copa do Mundo de 2026?

Futebol

Brasil vence o Haiti e reencontra confiança na Copa do Mundo de 2026?
Brasil vence o Haiti e reencontra confiança na Copa do Mundo de 2026? (Foto: Reprodução)

O placar mostrou uma vitória confortável: Brasil 3, Haiti 0. Os números indicam superioridade, liderança provisória do grupo e um cenário aparentemente tranquilo para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026. Mas, para quem observou a partida além do resultado final, fica uma pergunta inevitável: o Brasil realmente venceu ou apenas cumpriu a obrigação? 


É preciso reconhecer os méritos individuais. Matheus Cunha aproveitou a oportunidade e marcou dois gols. Vinícius Júnior foi decisivo, participando diretamente dos três tentos brasileiros e sendo, mais uma vez, o principal nome da equipe. 


No entanto, uma seleção pentacampeã mundial não pode ser analisada apenas pelo placar contra uma equipe que ocupa um patamar técnico muito inferior e que disputa apenas sua segunda Copa do Mundo na história. O Haiti demonstrou coragem, organização e dignidade, mas a diferença de investimento, estrutura, tradição e qualidade individual entre as equipes é enorme. 


O que preocupou foi justamente a forma como o Brasil jogou. Diversos analistas internacionais destacaram a falta de criatividade, a lentidão na construção das jogadas e a excessiva dependência das arrancadas de Vinícius Júnior. Em muitos momentos, a equipe de Carlo Ancelotti pareceu previsível, sem intensidade e sem o brilho historicamente associado ao futebol brasileiro. 


A segunda etapa foi ainda mais reveladora. Com a vantagem construída, o Brasil reduziu drasticamente o ritmo, permitiu que o Haiti tivesse mais posse em determinados momentos e deixou a impressão de que estava administrando o resultado contra um adversário que dificilmente teria condições de reagir. Para uma equipe que sonha em conquistar uma Copa do Mundo após 24 anos de jejum, isso pode ser interpretado como um sinal de alerta. 


Outro aspecto que merece reflexão é a tendência de parte da imprensa e da torcida brasileira de transformar qualquer vitória em demonstração de recuperação definitiva. O mesmo time que empatou com Marrocos na estreia ainda apresenta dificuldades coletivas evidentes. Uma boa atuação individual não resolve automaticamente problemas estruturais de organização ofensiva, intensidade e criação de jogadas. 


Talvez o maior vencedor da noite tenha sido o próprio Haiti. Mesmo derrotada, a seleção caribenha mostrou espírito competitivo, não abriu mão de atacar quando teve oportunidade e saiu de campo com a sensação de ter enfrentado uma potência mundial sem se intimidar. O Brasil venceu. O Haiti resistiu. E a diferença entre essas duas narrativas talvez explique melhor a partida do que o próprio placar. 


No futebol de Copa, vencer é fundamental. Mas seleções candidatas ao título precisam fazer mais do que vencer. Precisam convencer. E, pelo menos até aqui, a Seleção Brasileira ainda está devendo essa resposta ao seu torcedor.




por Regina Papini Steiner

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