Opinião | Criticar é um direito. Desrespeitar quem constrói a Parada é um erro.
Educação
A 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo marca um momento histórico. São três décadas de luta, resistência, visibilidade e defesa de direitos que transformaram a Parada em uma das maiores manifestações LGBTQIAPN+ do mundo.
No entanto, enquanto milhares de pessoas celebram essa trajetória, chama atenção o tom adotado por alguns setores ao se dirigirem ao diretor artístico da Parada e à equipe responsável pela construção do evento. Divergir é legítimo. Discordar faz parte da democracia. O que não é aceitável é transformar diferenças de opinião em ataques pessoais, desqualificações públicas e tentativas de desmerecer o trabalho de quem dedica tempo, talento e energia para fazer a Parada acontecer.
Existe uma diferença fundamental entre crítica e agressão. A crítica busca aprimorar. A agressão busca destruir. E, infelizmente, parte das manifestações vistas recentemente parece muito mais interessada em atingir pessoas do que em contribuir para o fortalecimento do evento.
O diretor artístico da Parada ocupa uma função que exige escolhas difíceis. Nem todas agradarão a todos. Nunca agradaram e nunca agradarão. A construção de um evento dessa magnitude envolve limitações financeiras, desafios logísticos, expectativas divergentes e a necessidade constante de equilibrar representatividade, viabilidade e impacto cultural.
Quem está de fora muitas vezes vê apenas o resultado final. Quem está na linha de frente conhece as dificuldades, as negociações, os cortes orçamentários, as pressões e as responsabilidades que acompanham cada decisão tomada. É fácil criticar pelas redes sociais. Difícil é assumir a responsabilidade de organizar um evento que representa milhões de pessoas e que carrega o peso simbólico de uma luta histórica.
A Parada de São Paulo não pertence a um grupo específico, a uma corrente política ou a um segmento isolado da comunidade. Ela é fruto do trabalho coletivo de inúmeras pessoas que, ao longo de décadas, ajudaram a construir esse patrimônio social, cultural e político. Desrespeitar seus organizadores não fortalece o movimento. Pelo contrário, enfraquece-o. A elegância no debate não é sinal de fraqueza. É sinal de maturidade. Defender ideias não exige humilhar pessoas. Questionar decisões não autoriza ataques à honra, à competência ou à trajetória de quem está trabalhando pelo evento.
A comunidade LGBTQIAPN+ conhece como poucas o peso da intolerância, da exclusão e da violência. Por isso mesmo, espera-se que seus espaços sejam pautados pelo respeito, pela escuta e pela construção coletiva, e não pela reprodução das mesmas práticas de hostilidade que historicamente combateram.
A Parada chegou aos seus 30 anos porque foi construída por pessoas que, apesar das divergências, compreenderam que o objetivo maior sempre foi a luta por direitos, dignidade e cidadania. Quando disputas pessoais passam a ocupar mais espaço do que as causas coletivas, todos perdem.
O diretor artístico pode e deve ser questionado. Suas decisões podem e devem ser debatidas. Mas há uma linha que separa a crítica legítima da agressão gratuita. E quando essa linha é ultrapassada, o problema já não está mais nas decisões tomadas, mas na incapacidade de alguns de conviver com opiniões diferentes das suas.
Regina Papini Steiner
Jornalista | Revista ICONIC | Notifica News| TV Omindaré
Comentários (1)
Parabéns pela matéria. Realmente existem pessoas que preferem destruir do que construir, comecei a ler alguns conteúdos no Instagram e sinceramente, nenhum seriedade. É tudo muito lamentável. Parabéns aos organizadores da Parada de São Paulo
13 horas atrás