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Liderar em tempos de IA, burnout e multigerações exige confiança, equilíbrio e coragem

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Liderar em tempos de IA, burnout e multigerações exige confiança, equilíbrio e coragem
by Pavel Danilyuk

A liderança corporativa atravessa um dos períodos mais complexos das últimas décadas. Inteligência artificial, burnout silencioso, modelos híbridos de trabalho e a convivência entre até cinco gerações no mesmo ambiente profissional estão redesenhando o papel dos gestores nas organizações. Nesse cenário, especialistas defendem que a capacidade técnica já não é suficiente: liderar passou a exigir inteligência emocional, adaptabilidade e, principalmente, construção de confiança.


Para Tatiane Tiemi, CEO do Great Place to Work Brasil, a transformação do mercado tornou a liderança “mais complexa e mais humana”. Em entrevista recente, a executiva afirmou que a confiança se tornou um ativo estratégico dentro das empresas. Segundo ela, a cultura organizacional não se resume a discursos institucionais ou campanhas de employer branding, mas ao que os colaboradores vivenciam diariamente.


A ascensão da inteligência artificial acelerou mudanças profundas nas relações de trabalho. Ferramentas automatizadas passaram a ocupar tarefas operacionais, ao mesmo tempo em que ampliaram a pressão por produtividade e adaptação constante. Para Tatiane, o desafio das lideranças está em encontrar equilíbrio entre inovação tecnológica e valorização humana. “Não podemos robotizar as pessoas, mas todos precisam aprender a usar IA”, destacou a executiva.


Outro ponto central é o impacto da saúde mental nas empresas. O burnout deixou de ser tratado como um problema individual e passou a integrar a agenda estratégica das organizações. Embora o tema tenha perdido espaço entre as prioridades emergenciais dos departamentos de RH, especialistas interpretam isso como sinal de amadurecimento corporativo, e não de desinteresse.


Tatiane Tiemi observa que os líderes contemporâneos precisam lidar simultaneamente com equipes presenciais, híbridas e remotas, além de compreender expectativas diferentes entre gerações. Enquanto profissionais mais experientes valorizam estabilidade e crescimento linear, as gerações mais jovens buscam propósito, flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.


Nesse ambiente de transformações rápidas, as chamadas soft skills ganharam protagonismo. Resiliência, coragem para tomar decisões em cenários imprevisíveis e capacidade de comunicação aparecem entre as competências mais valorizadas. Dados do relatório “Tendências em Gestão de Pessoas 2026”, citado pela CEO do GPTW, mostram que o desenvolvimento de lideranças segue como prioridade nas empresas brasileiras há pelo menos cinco anos.


Além disso, Tatiane reforça que empresas consideradas bons lugares para trabalhar costumam apresentar ambientes pautados em respeito, inclusão e desenvolvimento humano. Segundo estudos do GPTW, organizações que priorizam confiança e gestão humanizada tendem a apresentar melhores resultados financeiros e maior capacidade de inovação.


Especialistas apontam que o futuro da liderança será menos baseado em controle e mais em influência. O gestor do futuro deverá ser capaz de unir tecnologia e sensibilidade humana, equilibrando desempenho com saúde emocional. Em um cenário marcado pela automação crescente e pela exaustão profissional, liderar deixou de ser apenas comandar processos — tornou-se a capacidade de construir relações sustentáveis em meio à incerteza.

por Sonia Mathias

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