“Efeito Lula”? Mata Atlântica registra menor desmatamento em 40 anos e recoloca meio ambiente no centro do debate político
Ecologia
A Mata Atlântica atingiu, em 2025, o menor índice de desmatamento desde o início do monitoramento histórico realizado há quatro décadas. O dado, divulgado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o INPE e o MapBiomas, reacendeu o debate sobre o impacto das políticas ambientais do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no combate à devastação ambiental.
Segundo o levantamento, o desmatamento caiu 40% nas áreas de florestas maduras da Mata Atlântica em relação ao período anterior, atingindo o menor patamar desde o início da série histórica, em 1985. Pela primeira vez, a perda anual ficou abaixo de 10 mil hectares.
O resultado foi rapidamente associado por ambientalistas ao retorno de políticas de fiscalização ambiental mais rígidas após a mudança de governo em 2023. Desde o início do atual mandato, o governo federal retomou operações de combate ao desmatamento, ampliou ações do IBAMA e fortaleceu programas de monitoramento ambiental. O Ministério do Meio Ambiente também lançou o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento da Mata Atlântica, com meta de desmatamento zero até 2030.
Para apoiadores do governo, os números representam um “efeito Lula” na política ambiental brasileira — uma reversão simbólica do período anterior, marcado por críticas internacionais relacionadas ao avanço do desmatamento e ao enfraquecimento de órgãos ambientais.
A ministra Marina Silva tornou-se uma das principais vozes dessa retomada. Em diferentes declarações públicas, a ministra afirmou que o país voltou a priorizar fiscalização, embargo de áreas ilegais e restrição de crédito para desmatadores. Segundo dados mencionados por Marina, houve aumento expressivo nas ações do IBAMA e do ICMBio desde 2023.
Mas especialistas alertam que o cenário positivo ainda inspira cautela.
Apesar da queda histórica, organizações ambientais lembram que a Mata Atlântica continua sendo um dos biomas mais destruídos do planeta. Hoje restam apenas cerca de 24% de sua cobertura original, sendo pouco mais de 12% formados por florestas maduras preservadas.
Além disso, pesquisadores apontam que parte da redução do desmatamento decorre também de fatores estruturais acumulados ao longo de décadas, incluindo a Lei da Mata Atlântica, pressão internacional, atuação do Ministério Público, monitoramento por satélite e mobilização de organizações da sociedade civil.
Há ainda preocupação com propostas legislativas consideradas mais flexíveis para licenciamento ambiental. Ambientalistas temem que mudanças nas regras possam enfraquecer a proteção conquistada nos últimos anos.
O debate, portanto, vai além dos números.
A redução do desmatamento revela que políticas públicas de fiscalização e proteção ambiental produzem efeitos concretos quando há coordenação entre governo, ciência e sociedade civil. Ao mesmo tempo, mostra como a questão ambiental deixou de ser apenas tema ecológico e passou a ocupar espaço central na política, na economia e na imagem internacional do Brasil.
Num país que já perdeu grande parte de sua vegetação original, cada hectare preservado tornou-se também símbolo político. E, goste-se ou não da expressão “efeito Lula”, os dados recentes colocam o meio ambiente novamente como um dos principais indicadores da gestão federal brasileira.
por Carlos Silva
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