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O Acaso que Salvou a Literatura: O Dia em que Guimarães Rosa Escapou da Morte por um Maço de Cigarros

Literatura

O Acaso que Salvou a Literatura: O Dia em que Guimarães Rosa Escapou da Morte por um Maço de Cigarros
O Acaso que Salvou a Literatura: O Dia em que Guimarães Rosa Escapou da Morte por um Maço de Cigarros (Foto: Reprodução)

Rio de Janeiro – A literatura brasileira poderia ter sido tragicamente interrompida décadas antes de seu auge se não fosse por um hábito cotidiano e, ironicamente, prejudicial à saúde: o tabagismo. João Guimarães Rosa, o mestre do sertão e da linguagem, escapou ileso de um bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial graças a uma saída fortuita para comprar cigarros.


O episódio ocorreu em 1941, na Alemanha nazista, onde Rosa servia como cônsul-adjunto em Hamburgo. Naquela época, o diplomata ainda não havia publicado sua obra-prima, Grande Sertão: Veredas, mas já demonstrava a coragem que marcaria sua trajetória ao ajudar judeus a escaparem do regime de Hitler.


O Bombardeio em Hamburgo

Durante o conflito, Hamburgo era um alvo constante dos ataques aéreos das forças aliadas. Em uma dessas noites de bombardeio intenso, a residência e o escritório onde o diplomata se encontrava foram atingidos diretamente.


A Saída Estratégica: Pouco antes do impacto que destruiu parte da estrutura onde ele estava, Rosa sentiu falta de seus cigarros. Mesmo sob o risco iminente, ele decidiu caminhar até um estabelecimento próximo para reabastecer seu estoque.


O Retorno ao Caos: Ao voltar, encontrou o local em ruínas. Se tivesse permanecido em sua mesa de trabalho ou em seus aposentos naquele exato momento, o Brasil teria perdido o homem que revolucionaria a prosa nacional.


Misticismo e Destino

Para Guimarães Rosa, que era um estudioso das religiões e um homem profundamente ligado ao misticismo, o evento não foi apenas sorte. Ele frequentemente mencionava que "viver é muito perigoso" e acreditava que sua vida estava protegida por forças maiores para que ele pudesse cumprir sua missão literária.


"O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem." – Frase icônica de Grande Sertão: Veredas que muitos associam à sua própria resiliência.


O Legado Pós-Guerra

Após o episódio na Alemanha, Rosa retornou ao Brasil e seguiu carreira diplomática e literária. O "livramento" em Hamburgo permitiu que, anos depois, ele entregasse ao mundo obras como:


Sagarana (1946): Seu marco inicial de contos.


Corpo de Baile (1956): Ciclo de novelas complexas.


Grande Sertão: Veredas (1956): Considerado um dos maiores romances da literatura mundial.


O destino, selado pela compra de um maço de cigarros, garantiu que o sertão ganhasse dimensões universais e que a língua portuguesa fosse reinventada por suas mãos.


Referências:


ROSA, Vilma Guimarães. "Reys e Ratos: Guimarães Rosa e a Segunda Guerra Mundial".


LORENZ, Günter W. "Diálogo com Guimarães Rosa".


Arquivos Históricos do Itamaraty – Missão Diplomática em Hamburgo (1938-1942).


por Thiago Moreno

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